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Tributário 6 min de leitura

Reforma Tributária 2026: como sua empresa deve se preparar agora

A transição para CBS e IBS já começou. Veja o calendário, o que muda no preço e na margem e o que fazer ainda este ano.

Gráfico de crescimento e escudo, planejamento tributário para empresas

A reforma tributária do consumo saiu do papel. A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 trocam cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um modelo de IVA dual: a CBS, federal, e o IBS, de estados e municípios. Somado a eles vem o Imposto Seletivo, que incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

A mudança é gradual, mas quem deixar para olhar só quando a conta chegar vai decidir preço, contrato e regime no escuro.

O calendário da transição

  • 2026: ano de teste. As notas fiscais passam a destacar CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, valores que podem ser compensados com PIS e Cofins. O foco é adaptar sistemas e cadastros.
  • 2027: a CBS entra de verdade e PIS e Cofins deixam de existir. O IPI é zerado para quase todos os produtos e começa o Imposto Seletivo.
  • 2029 a 2032: o ICMS e o ISS diminuem a cada ano enquanto o IBS aumenta na mesma proporção.
  • 2033: o sistema novo passa a valer por completo e os tributos antigos são extintos.

O que muda na prática para a sua empresa

Crédito amplo e não cumulatividade

No modelo novo, praticamente tudo o que a empresa compra para a sua atividade gera crédito. Isso favorece quem tem cadeia de fornecedores formal e pesa para quem compra de quem não destaca o imposto.

Preço e margem

Serviços, que hoje pagam ISS de 2% a 5% e, no Lucro Presumido, PIS e Cofins cumulativos, tendem a sentir mais a mudança. Algumas atividades têm redução de alíquota: saúde e educação têm 60% de redução, e profissões intelectuais regulamentadas, como advocacia, arquitetura e contabilidade, têm 30%. Ainda assim, é preciso simular.

Simples Nacional

Quem está no Simples continua no regime, mas o crédito que a empresa transfere ao cliente é menor. Para quem vende para outras empresas, pode valer a pena recolher CBS e IBS fora do Simples e passar a gerar crédito integral. É uma escolha que depende dos números de cada caso.

Split payment

O imposto passa a ser separado no momento do pagamento, direto na transação bancária ou no cartão. Na prática, o dinheiro do tributo nem entra no caixa, e isso muda o planejamento de capital de giro.

O que fazer ainda em 2026

  • Revisar o cadastro de produtos e serviços (NCM e códigos de serviço), base de todo o cálculo novo.
  • Conferir se o sistema emissor de nota já destaca CBS e IBS corretamente.
  • Simular o impacto no preço dos seus principais produtos ou serviços.
  • Rever contratos de longo prazo: cláusulas de reajuste precisam prever a troca de tributos.
  • Avaliar se o regime tributário atual continua sendo o melhor a partir de 2027.
  • Mapear fornecedores: quem não gera crédito passa a custar mais caro.

Quem se prepara agora escolhe o cenário. Quem espera aceita o que vier. Uma simulação feita com os números reais da empresa mostra, em reais, o que muda.